sexta-feira, 29 de maio de 2009

Rotina


"A idéia é a rotina do papel.
O céu é a rotina do edifício.
O inicio é a rotina do final.
A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho é o oposto.
A rotina do perfume é a lembrança.
O pé é a rotina da dança.
A rotina da garganta é o rock.
A rotina da mão é o toque.
Julieta é a rotina do queijo.
A rotina da boca é o desejo.
O vento é a rotina do assobio.
A rotina da pele é o arrepio.
A rotina do caminho é a direção.
A rotina do destino é a certeza.
Toda rotina tem a sua beleza."

Tem um certo tempo que estou procurando esse texto (ADOOOORO o comercial!)... pra colocar aqui.

Todos sabem que não gosto da rotina... mas esse texto é sensacional... "a rotina da pele é o arrepio" uiuiui!!!!

=D

Quem ganha?

Sabe... ouvi, na realidade li ontem uma coisa que me deixou muito pensativa.
"Quem ganha?"
Não sei... sinceramente não sei responder a essa questão.
Eu sei que uma das parte ganha e a outra perde... mas isso é tão relativo... pode ser que ambas as partes ganhem e uma terceira perca... pode ser que duas percam e uma ganhe... não sei... não sei explicar... não sei prq.
Sei que é injusto. Mas será que isso não é exatamente o que preciso agora? Prq já que é sempre injusto, pelo menos comigo, prq eu não posso escolher como e prq será injusto? Ter um pouco o "controle" da minha vida nas mãos... pelo menos decidir o que vou fazer dela... já que tem tanta coisa que não posso decidir.

To confusa.(Como se isso fosse muuuito difícil de acontecer ?!)

Não sei o que fazer... qual o caminho tomar... eu sei que é errado... mas errado quanto?

Ohhh bagunça que está heim?!

Tudo isso poderia ser tão facilmente resolvido...
Foi como falei com a Amanda... "O que quero de verdade... eu não posso ter."
Sei que é complicado, e nunca disse que não seria... mas se for muito normal, muito descomplicado, será que (neste momento) eu quero? Estou cheia de pontos de interrogação na cabeça... tem alguns de exclamação também do tipo "sua maluca! isso é errado! não faça isso!"... mas mesmo com o som do alarme berrando no meu cérebro, eu continuo sem saber o q fazer.
Será que é isso mesmo que eu quero?

O problema continua sendo.. "O QUE EU QUERO???"

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Scrap...

ßrunα Olίvєίrα:
Antes vou avisar: NÃO CHORA, e me envia um e-mail assim q ler :D

ßrunα Olίvєίrα:
'Achei um texto lindo da Verônica H que eu queria dividir com vc amiga.é uma ligação:

- Olha, eu realmente não tenho tempo pra essas coisas, se você não tem mais nada pra me dizer, desligando.

- Eu tenho. Tenho um milhão de medos presos aqui nessa linha. Se você desligar, sua vida vai seguir. A minha vai ficar contida nesse aparelho eletrônico. Eu já sou contida de tantas maneiras... Na verdade eu só queria te dizer que por mais que o tempo passe, não consigo preencher meus buracos. Eu olho em volta e não procuro nada. Só porque eu sei que não há nada. Só porque eu sei que o nada que eu quero tá longe de mim. É tudo um enorme, frio e presente nada.

ßrunα Olίvєίrα:
Um vazio do tamanho da minha quase existência. Eu quase existo, sabia? Afinal, quem existe por inteiro? Eu não. Eu sou metade amada (porque ninguém me assume por inteiro); metade interessante (porque assusto quem eu quero aproximar e frustro os que ignoram minha muralha); metade culpada (porque ninguém tem obrigação de me amar de verdade quando eu crio bloqueios tristes e vazios). Se você quiser desligar, tudo bem. Eu só tava fazendo drama. Claro que eu vou sobreviver, ? Nunca precisei de uma ligação pra me manter inteira. Mas me diz, e você, tá bem?

(Ocupado - Veronica H.)
Aiii depois de ler isso... eu grito (na minha cabeça é claro!!) "PONTE QUE PARTIU!!!"(tudo bem que o que gritei não foi isso... foi aqueleee palavrão bem parecido com isso)
Mas fico imaginando... como pode??? SOU EUUU que estou descrita ali!!! será que minha alma é tão facilmente lida?? ou será que é prq existem muitas almas parecidas com a minha??
Eu como boa curiosa que sou... assim que consegui 5 segundos de tempo livre... entrei no google e pesquisei... e UAUUUUU fiquei louca!!! Essa menina escreve muuuito bem!!! E eu tive a nítida sensação de que ela escreve melhor ainda prq ela escreve com a alma... pela alma... e para as almas espalhadas por esse mundão ai... que estão meio que perdidas, precisando saber que não estão sozinhas... mesmo que seja na dor.
Brunny... OBRIGADA!!!! AMEIIIII!!!

Status do ser...

Status do ser (ser = Ivana): CANSADA pra Cascalho!!!

To tentando desesperadamente dar uma guinada na minha vida... mas por incrível que pareça... sabe o que esta me prendendo? o MEDO!! Que absurdo!!!! Mas eu to com medo! medo de não dar certo... medo de não ter pra onde voltar... medo de ficar sem meu porto seguro... o que é ridículo eu estar sentindo isso... prq eu sei que sou competente, que me daria bem em qualquer lugar... mas é sempre complicado abandonar um lugar onde você gosta de estar, onde já se criou um habito e ate mesmo uma certa rotina (ECAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! quem me conhece sabe o quanto eu simplesmente detesto a rotina... esse é exatamente o maior ponto para insatisfação em uma pessoa... é como se fosse o catalisador)... e agora eu não sei o que fazer... prq afinal, não sou mais uma garota que pode ficar pulando de galho em galho... já passei da minha fase macaco (rsrsrs)... tenho meus compromissos e não posso simplesmente jogar a toalha e falar "É isso aê... valeu... obrigada a todos, mas eu to caindo fora "belê"... Uhuuuu fui galera!!!" Não dá pra fazer isso... mas também não quero ficar me prendendo num lugar onde não está contribuindo muito bem pro meu desenvolvimento... eu as vezes sinto que estou estagnada num lugar... como se eu fosse criar raízes e não me movimentar nunca mais... como se não houvesse a chance de uma melhoria... e isso me deixa pra baixo, prq eu não quero isso na minha vida... aquela menina que quer beber a vida num gole só... não se contenta com a mesmice... com o morno... o morno é tão... tãooo morno!!!! nem queima... nem tá frio.
Eu quero algo novo... mas sei q se eu ficar só pedindo aos céus "Me manda algo novo. Me manda algo novo??!!" NADA vai acontecer... porque, ou fazemos acontecer ou então morremos sem que tenha acontecido nada! Temos mais é que correr atrás daquilo que queremos. O problemas é: O QUE EU QUERO???
Nem eu consigo definir exatamente o que eu quero... o que anseio... no que quero mudar. A única coisa que sei é que PRECISO mudar alguma coisa... se não vou acabar sufocada!!!!
E essa essa ser uma péssima forma de acabar!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Amores impossíveis

"Desculpem o trocadilho infame, mas a vida é feita de altos e baixos. Altos, fortes, morenos, sensuais, possíveis e aquele baixinho, meio esquisito, que não sai da sua cabeça. Impressionante como a gente sofre por nada. Um cheiro que mexe com você, um jeito de olhar contido, uma idéia inteligente, várias na verdade. Não, não é nada disso, a gente sofre é pela impossibilidade. Desde que o mundo é mundo não há nada mais afrodisíaco do que a proibição. se a Julieta tivesse visto o Romeu acordar com mau hálito? E se o Romeu descobrisse o chulé da Julieta? Convivência é foda.Pois é, aquele baixinho esquisito não pertence ao grupo dos amores possíveis, a graça dele pode durar uma eternidade, dependendo do seu grau de estupidez criativa.Ele não quer nada com você, já tem alguém, pertence a um caminho que passa longe do seu, sabe cumé? Pertence ao campo dos idealizados, sonhados e distantes, o que faz dele enorme, lá no pedestal.E nada melhor do que as lacunas da improbabilidade para esquentar uma paixão. Nessas lacunas você tem espaço para criar a história como quiser, ganha poder, inventa. Ele é seu, seu personagem. Nesses espaços livres você coloca todos os seus sonhos, toda a sua imaginação. Cenas completas com fundo musical e palavras certas, finais e desfechos inesperados.Quando você menos espera, ele faz mais parte da sua vida do que você mesma.Mas a realidade aparece mais cedo mais tarde, vem como uma angústia. Parece vontade de fazer xixi, mas é tesão reprimido. Tesão reprimido deve dar câncer. Era só um cara interessante, agora pode te matar. Pronto, você está apaixonada. E a paixão tem suas etapas. Primeiro a negação: eu apaixonada? Imagina. Ele é impossível, nunca vai me dar bola, muito menos duas com o que eu quero no meio. Depois a maximização: ele é mais inteligente, mais bonito, mais engraçado. E todos os mais possíveis para que ele seja mais desafio para você, mais inveja para as suas amigas, se você aparecer com ele na festa, mais fadinhas dançantes para fazer cosquinha no seu ego problemático. Daí é a vez da "superlativização": em vez de ser mais, ele é "o mais", o mais fodido, o mais inteligente e o mais gostoso. E você está a um passo do endeusamento: "ele é único", aí fodeu. Se ele é único, ele é a sua única chance de ser feliz. E, se ele não quer nada com você, você acaba de perder a sua única chance de ser feliz. Bem-vinda à depressão.
Como você é ridícula, amor platônico é para adolescentes. Lá fora há milhares de possibilidades de felicidade, de felicidades possíveis. De realidade. E você eternamente trancada na porta que o mundo fechou na sua cara. Fazendo questão de questionar e atentar o inexistente. Vá viver um grande amor. Olha, faça um favor para mim, antes de tremer as pernas pelo inconquistável e apagar as luzes do mundo por um único brilho falso, olhe dentro de você e pergunte: estupidez, masoquismo ou medo de viver de verdade?"


"Furtei" este texto do blog da Bruna (com autorização!)... prq eu achei ele muuuito interessante...

É tão engraçada essa síndrome de vaga lume... chega a ser uma coisa absurda... mas é real!

Você tá ali... paradinha... quietinha... sem fazer nada e derrepente... zaps! você olha e vê algo brilhando... e ai pensa... "Eu quero"... mas não consegue... e quanto mais você não consegue... mais vc vai querer. É uma situação muuuito difícil... e ao mesmo tempo irresistível!!! tão irresistível que chega a dar comichão!!!

Bom... já tem um tempo que venho tentado controlar a minha síndrome de vaga lume... mas admito que as vezes é muuuuuito difícil resistir a tentação... Já falei aqui que sou uma pessoa pecadora (rsrsrsrsrsrs) e sinceramente sou como Oscar Wild... "Posso resistir a tudo nessa vida... menos a tentação!" ou algo do tipo... rsrsrsrs

Tenho andado em uma situação de vaga lume e não faço a menor ideia do que isso vai dar... de como vai acabar... e se é que vai acabar!!! Prq têm sido irresistível pra mim, não esticar a mão pra tentar pegar...
O único problema é que como todos sabemos... assim que o vaga lume é pego... ele para de brilhar com a intensidade que brilhava contra a escuridão do céu... e aiii acaba perdendo a graça... como num passe de mágica.

Mas enfim... como eu falo... já que vou pro inferno por estar pecando... eu vou de corpo inteiro... ou pra vcs entenderem melhor... já que vou ser julgada... que seja por muuuita coisa, e não por besteira.

Então... acho que é só. Pelo menos por agora! =D

terça-feira, 12 de maio de 2009

"Você não é maluca,
apenas gosta que pensem que é,
porque no fundo você tem medo de se mostrar,
e essa é uma forma de você se sentir amada...
porque você acha que as pessoas não vão gostar de você se você for tímida. "
Recebi essa frase numa conversa com uma pessoa de quem gosto muito (e que também é tímido e doidinho)... e resolvi postar aqui.
Porque no fundo, no fundo... talvez seja uma das maiores verdades da vida!!!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Meu pai.

Nossa!! Tem duas semanas que não escrevo nada!!! E eu achando que tinham se passado só alguns poucos dias...
Sabe eu ia escrever uma coisa... mas acabei de ler o post da Bruna... e acabou que mudei completamente o que ia escrever... resolvi que ao invés de colocar trivialidades aqui, vou colocar algo pra fora... uma coisa que eu já tinha que ter feito... e que quanto mais guardo dentro de mim... mais eu me sinto mal com isso.
Meu pai "morreu" pela primeira vez quando eu tinha 10 anos e ele chegou em casa bêbado, e tentou bater na minha mãe... eu entrei na frente e disse que se ele quisesse bater nela, ia ter que bater em mim também, ele nunca tinha levantado a mão pra mim, e eu achava que isso era uma questão de amor, só que depois desse dia eu nunca mais achei isso... ele ia me bater e minha mãe não deixou... e ele berrou dizendo que eu não era filha dele, que não me queria e que nunca me quis, e me mandou embora da casa dele. Eu achei que fosse morrer... e de certa forma morri... mas morri por dentro, o que durante todos esses anos só me prejudicou, porque passei a não acreditar em muitas coisas. É claro que não fui embora, eu era só uma criança, mas foi a partir daquele momento em que desisti de ter um pai.
Eu já tinha minha mãe, minha irmã e meu irmão... então eu não precisava de mais nada. Um tempo depois comecei a me coçar pra arrumar um dinheirinho extra, minha mãe trabalhava de doméstica pra ajudar a pagar as contas, e eu não queria ter que pedir a ela, já que era tão suado e as vezes contado, e pra ele eu nunca abaixaria minha cabeça, afinal ele já estava morto pra mim.
E eu cresci, entrei no ginásio, e foi nessa época que descobri que ele não queria que eu nascesse... que ele não me queria, e que quando minha mãe foi atropelada porque um sujeitinho qualquer avançou o sinal vermelho ele, o meu pai, disse que a culpa tinha sido dela... ELA estava na faixa... ela estava certa... ela quase morreu... ela quase ficou condenada a andar de cadeira de rodas o resto da vida... ela quase nos deixou sozinhos... três crianças... eu tinha acabado de fazer 5 anos... e ele disse que a culpa era dela... e ele morreu novamente pra mim.. e eu comecei a entregar folheto em sinal, eu sempre fui grandona, com corpão então ninguém nunca achou que eu tivesse menor idade, o que foi uma sorte.
E num determinado momento disso, meu pai foi aposentado pela Confeitaria Colombo, onde ele tinha trabalhado a vida inteira (tirando a época do quartel), sem chegar atrasado ou faltar sequer um dia em todos os anos que trabalhou lá, e ele se sentiu chutado, e neste momento ele se afogou mais ainda em bebidas, e teve uma x que ele passou muito mal e ficou sem beber uns dias, e começou a ter surtos pela falta da bebida, e tentou colocar fogo na casa, achando que tinham pessoas ruins lá dentro. E foi ai que decidimos interna-lo num hospital pra desintoxicação, nesse período minha irmã estava em casa, e eu é que estava do lado dela agilizando tudo pra que ele fosse tratado, e então o médico disse " Nós vamos ter que interna-lo." e minha irmã pediu que não... e ele disse "ele é um risco pra vocês, ele pode machucar um de vocês, pense na sua irmã." e ela olhou pra mim e resolver prosseguir e interna-lo... e ele passou um tempinho lá... e todo mundo falava pra eu ir visita-lo, e eu sempre arrumei uma desculpa, ai teve uma x que fui obrigada a ir... e eu fui... e nesse dia, nesse dia eu morri mais um pouco, porque por mais que não nos déssemos bem, foi difícil ver meu pai ali, meio que amarrado pra não se machucar, pra tentar se limpar... tirar aquele veneno que estava destruindo ele, e todos nos.
E ai um tempo depois ele voltou pra casa, minha irmã assinou a liberação dele, e foi tudo ótimo... ele me pediu desculpas por todas as coisas que ele tinha me feito durante todos aqueles anos, e a toda a família, e nos desculpamos, afinal a culta era da doença dele... e eu achei que teria um pai. Então menos de um mês depois, ele tinha voltado a beber. E eu morri mais uma x quando cheguei e vi a raiva que ele sentia.
E depois disse houveram muitas cenas de ódio e revolta, a dor de não saber o que tinha feito pra que ele não gostasse de mim... minha mãe sempre disse que eu era uma boa filha, sempre tinha sido e que eu tinha um coração de ouro... pra que eu não esquecesse disso. Mas eu esqueci e durante muito tempo, eu só tive raiva dentro de mim... tudo era motivo pra explodir essa magoa em cima de todo mundo que me amava... mas eu mudei, e vi que não era minha culpa, e sim da doença... Então segui minha vida e muitas coisas mudaram... eu vi que não tenho um coração de ouuuuro como minha mãe falou, mas eu tenho um bom coração, que sou uma boa pessoa e que tenho ser o mais correta possível, para não fazer mal as pessoas.
Nesse período da minha redescoberta, ou melhor de descoberta, ele quebrou os dois fêmurs, caindo na rua, ele cortou a cabeça algumas vezes e se machucou outras tantas, e várias vezes ele morria mais um pouquinho pra mim, e nos fomos vivendo nossas vidas... meu irmão "casou" e teve duas filhas LINDAS!!!; minha mãe prosseguiu trabalhando, mesmo com o problema causado pelo atropelamento que quase a matou; minha irmã continuou estudando e trabalhando e entrou para a faculdade, no final desse ano ela se forma, e como eu tenho ORGULHO disso!; e eu... bom eu continuei minha vida, trabalho, hoje em dia... faculdade de Direito!! e muitas outras coisas... mas enquanto nos íamos seguindo nossas vidas, e muitos anos de brigas, raiva e muitos outros sentimentos, minha mãe se aposentou pelos problemas causados pelo atropelamento, e aguentou poucas e boas da parte dele, e várias outras coisas, meu pai ficou doente, muito doente... e então nos o forçamos a ir ao hospital, graças a minha mãe, ele tinha um plano de saúde, e ele foi pra um particular, e ele ficou internado e ele estava muito fraco.. e ficou no CTI... mas ele melhorou... e nos achamos que dessa vez ele ia se tocar e melhorar... que não iria mais beber... e eu fui visita-lo, prq ele perguntava por mim, e minha mãe dizia que os olhos dele ficavam com água quando ele fazia isso... e eu abri meu coração... e perguntei o porque? ele tinha uma família que amava ele, que não tinha abandonado ele... que nos tentamos de tudo... nunca nos metemos com coisas erradas, sempre tentamos trazer orgulho pra ele, ele tinha netas que eram doidas por ele, uma família que muita gente por aí faria qualquer coisa pra ter, unida que se ama... e depois de 15 anos eu chorei, e desejei ter o poder de mudar tudo, de voltar todos esse anos e sentir o abraço que ele me dava, quando chegava em casa do trabalho e eu berrava... "O PAI É MEU!!!" e corria pra ele e ele simplesmente sorria e meu mundo virava uma festa. Mas eu não tenho esse poder... e ele pela primeira vez, acredito eu, viu o que ele fez. E então... eu fui embora... e uma semana depois, meu pai voltou pro CTI, eu estava trabalhando no dia, fazendo uma festa e já no final dela eu senti que tinha algo de errado acontecendo, liguei pra minha irmã e estava tudo bem, pra minha cunhada e estava tudo bem... mas eu não conseguia falar com minha mãe... eu fiquei com medo de que fosse algo com ela... mas então eu senti... ele, do meu lado, eu ouvi ele me chamando e eu sabia o que tinha q fazer, prq eu sabia que era com ele ... e corri pro hospital, que era perto do local da festa, e quando cheguei lá.. soube que ele estava no CTI... e eu sabia que tinha que falar com ele... mesmo que ele não me ouvisse... ele me chamou... então eu tinha que fazer isso... convenci o pessoal do CTI e entrei... 5 minutos... eu estava em prantos... desesperada... nunca tinha me sentido assim em relação a ele... naquele momento eu queria que tudo fosse mentira... e que ele saísse daquela porta berrando... eu nem me importaria. Fiquei 5 minutos ao lado dele na cama... e conversei com ele... pedi perdão por toda a raiva que senti dele durante quase toda minha vida... e teve um momento em que senti que a fisionomia dele, se aliviou... e eu senti que ele não sairia dali, isso foi no domingo... eu voltei pra fazer uma segunda festa, e depois fui para casa... na segunda eu conversei com minha chefe e expliquei o q estava acontecendo... até então ninguém no meu trabalho sabia... e na terça-feira eu iria visita-lo durante o horário de almoço... Eu não tive tempo... ele faleceu na madrugada do dia 17/03 para 18/03... e essa foi a última e definitiva vez que meu pai morreu.
Eu fechei o caixão dele, juntos com meus irmãos... tentei fazer graça, prq esse é o meu jeito... carreguei o caixão dele e ajudei a colocar na cova, junto com meus irmãos... e assim mesmo tentei fazer graça... mas na verdade, o que ficou e ainda está aqui dentro é um vazio que parece que nunca é preenchido... é a pergunta que não vai ser respondida... e a vontade de saber onde foi que se errou, sem nem ao menos ter errado.
É a sensação de que perder quem amamos é muito difícil... mas que pior ainda é perder quem não sabemos amar, prq fica aquela sensação de que se poderia ter feito mais... se esforçado mais... ter tentado dar mais orgulho... um motivo pra viver... mas o mais angustiante é que você não perde só a pessoa que morreu... você acaba se perdendo também.
E então eu fui me perdendo... várias vezes durante esse um ano e pouco... e a verdade é que eu ainda não sei quando e se é que vou me reencontrar.. e sair dessa escuridão... se vou conseguir me manter firme e forte como sempre deixei que os outros pensassem que eu sou... e quando na realidade, eu sou só uma garota, que está muito machucada e assustada, e que não tem aguentado todas as coisas que acontecem e que sente que esta ficando soterrada e que tem vontade de gritar e pedir para acabar logo com tudo isso... e que só precisa de ajuda... e que as vezes só quer um ombro pra chorar... um braço pra ser envolvida... e um colo pra se sentir segura.